O que desejo é apenas uma casa.
Em verdade, não é necessário que seja azul,
nem que tenha cortinas de rendas.
Em verdade, nem é necessário que tenha cortinas.
Quero apenas uma casa em uma rua sem nome.
Sem nome, porém honrada, Senhor.
Só não dispenso a árvore,
Porque é a mais bela coisa que
nos destes e a menos amarga.
Quero de minha janela sentir
os ventos pelos caminhos, e ver o sol...
Manoel de Barros
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Para lá...
"Sumiê de fios, de folhas, sem tinta e sem pincel, onde o espaço faz papel de papel, o fio faz o efeito da escrita, os livros, fios em branco, são lidos pelo avesso, de lado, de vulto, de soslaio, os fios das folhas em ritmo, ora gráfico, ora elétrico, escrevem rimas ricas, linhas em todas as direções devolvem, resolvem nosso emaranhado enquanto flutua a dura madeira, nua carne, árvore madura suspensa, susto que pensa, pressente, arrepio de pêlos que nascem, atravessam, passam, morrem no pálido da pele onde ainda persiste um nada que se move na força dos fios e revela sua leveza e eleva o peso do espaço com todas as palavras não ditas."
Alice Ruiz
(Fotos: Becheleni)
**** Todo dia deve ser o Dia da Árvore.****
"Equilibra os ninhos..."
yellow loui
silêncio
Sapucaia Verde - Rosa
Cactus Blue
Folhas, Flores, Letras



"Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto... até que amanheça."
(Apoena)
No Salitre...
terça-feira, 20 de setembro de 2011
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Coisa tua

Assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua.
(Música: Waltel Branco
Letra: Alice Ruiz)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Inspire...
terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
so empty

"Consumo. O consumo é a atividade que consiste na fruição de (bens) e serviços pelos indivíduos que implica na posse e destruição material (no caso dos bens) ou imaterial (no caso dos serviços).
Pesquisadores de várias partes do mundo apontam o consumo excessivo como o principal responsável pelo aumento da degradação do meio ambiente uma vez que é necessário um aumento da produção para cobrir a demanda e este aumento está vinculado com a aceleração do uso de recursos naturais."
Vejo as relações pessoais, hoje em dia, como mercadorias. E o pior: o fetiche parece dominar o imaginário dessas pessoas, que dão uma importância absurda, não às idéias, arquiteturas ou fotografias interessantes, mas às vidas pessoais, criadas por um perfil que é muitas vezes, exagerado, esteriotipado. Personificações. E consomem pessoas. A minha estava invadida. "E eu abria o facebook ultimamente como se abre uma geladeira vazia." Você SABE que está vazia. Mas vai lá e abre... Vira uma estranha dependência. Porque, de uma forma ou de outra, o seu perfil É a sua vida. Ela está sendo observada, comentada, consumida. E o apavorante: sua geladeira está cheia de coisas gostosas, coloridas e, de repente, começa a ser invasivo demais: te tiram até os ovos pra depois te jogarem na cara. No final das contas, "não há meada, é só o fio", mas que te expõe, querendo ou não.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Tomara...
Tanta gente nesse mundo é enganação, pare pra pensar, de verdade: quem é que é alguma porra realmente? O mundo é dividido entre os que fazem encenação, que dá aí uns bons oitenta e cinco por cento (procure por aí, as pessoas em festa como se cada movimento fosse um clique de foto, o jeito de sentar milimetricamente calculado para nada querer dizer, procure, tantas poses com a bebida na mão e o cigarro na outra, procure por aí os olhares misteriosos, se dando uma importância transcendental com o charme de não aparentar nenhuma, os saltos, os jogos de tortura mental, ligo na terça pra dar tempo dela sentir falta na segunda, sair por cima é a única saída, procure, são tantos os tipos, eruditos preenchidos do sentir externo, felizes de morrer, tristes de matar, artistas papagaios, piadistas sem humor próprio, "autênticos" em série, tudo fruto de ensaio, tudo fruto de frase pronta ou sensação copiada) e os que simplesmente desistiram da vida toda (os que vagam semi mortos, não se importam mais com machucados, cartas, barulhos de chuva e músculos, não se preocupam com o que vão dizer ou pensar ou causar ou carregar, foda-se, que venha a morte mas antes se der pra gozar só mais uma vez, só mais uma vez, de barrigada ou caridade, é o princípio dos alcoólicos anônimos só que pra parar de morrer: só mais um dia vivendo. Os que não vivem quase enganam que são de verdade, com seus panos e movimentos e bens igualmente abandonados, mas ser de verdade sem "estar" não vale muito, pense bem.).
O mundo é dividido entre os que sentem o que gostariam (e não o que sentem) e os que não sentem mais e ufa, melhor assim. E no meio dessa merda toda, de vez em quando, aparece alguém de verdade... (T.B)
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