O olho do homem serve de fotografia ao invisível, como o ouvido serve de eco ao silêncio.
Machado de Assis
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
Lady in Red
"Caía a tarde feito um viaduto, e um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos... A lua tal qual a dona do bordel pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel. E nuvens! Lá no mata-borrão do céu chupavam manchas torturadas, que sufoco! Louco! O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil prá noite do Brasil. Meu Brasil!"...
Teria sido normal se não fosse 7 de Setembro. Me vesti de vermelho e saí para ver o movimento. As pessoas me olhavam de soslaio. Clima de instabilidade, frio, é feriado. Sábado de manhã. O desfile foi barrado: as escolas não sairam, o soldado volta do quartel com ar de missão cumprida e tinta no rosto. Solenidade para poucos. Meia dúzia de participantes do movimento popular fazia barulho. O bêbado, com cabo de vassoura na mão, fazia malabarismos e marchava. Eu estava lá, de vermelho paixão, vermelho fogo-comunista, vermelho coração. Saí "dalí". Vento frio, eu pensava na Jasmin. Nasceu ontem, rosadinha e brava, chegou com tudo! Chora forte, grita, não se cala, não. O brasileiro não é verde-amarelo, o brasileiro está de luto, de luta, triste. Sacode a poeira, reflete, questiona. Querem nos limitar, quem não sabe disso? Quais são as nossas armas? Na rádio o rei canta "Detalhes", e Chico... só ele nos salva com seu tom de voz melancólico: "Ah, se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir..." Eu voltei pra casa sozinha. E pensava: "teria sido normal se fosse em um outro dia." Mas era 7 de Setembro e eu vestia vermelho. E o Sol não apareceu.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Se fosse fácil não seria azul
A menina, na primeira fila, resmungou. Lembrei do Zé Buscapé. "Diacho de mulher..." Ei! Você! Se coloque no meu lugar! Noutros tempos eu diria: "Olhe pra você!!!" Deixe as armas pra lá, eu quero só seguir a canção... Braços dados ou não, somos todas iguais.
Eu li, uma vez, supostamente do Glauber: "Na Revolução é fundamental a luta contra a morte dos amigos e dos inimigos". Nostalgia na veia.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar. Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote...
Rita Apoena
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