sábado, 7 de setembro de 2013
Lady in Red
"Caía a tarde feito um viaduto, e um bêbado trajando luto me lembrou Carlitos... A lua tal qual a dona do bordel pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel. E nuvens! Lá no mata-borrão do céu chupavam manchas torturadas, que sufoco! Louco! O bêbado com chapéu-coco fazia irreverências mil prá noite do Brasil. Meu Brasil!"...
Teria sido normal se não fosse 7 de Setembro. Me vesti de vermelho e saí para ver o movimento. As pessoas me olhavam de soslaio. Clima de instabilidade, frio, é feriado. Sábado de manhã. O desfile foi barrado: as escolas não sairam, o soldado volta do quartel com ar de missão cumprida e tinta no rosto. Solenidade para poucos. Meia dúzia de participantes do movimento popular fazia barulho. O bêbado, com cabo de vassoura na mão, fazia malabarismos e marchava. Eu estava lá, de vermelho paixão, vermelho fogo-comunista, vermelho coração. Saí "dalí". Vento frio, eu pensava na Jasmin. Nasceu ontem, rosadinha e brava, chegou com tudo! Chora forte, grita, não se cala, não. O brasileiro não é verde-amarelo, o brasileiro está de luto, de luta, triste. Sacode a poeira, reflete, questiona. Querem nos limitar, quem não sabe disso? Quais são as nossas armas? Na rádio o rei canta "Detalhes", e Chico... só ele nos salva com seu tom de voz melancólico: "Ah, se já perdemos a noção da hora, se juntos já jogamos tudo fora, me conta agora como hei de partir..." Eu voltei pra casa sozinha. E pensava: "teria sido normal se fosse em um outro dia." Mas era 7 de Setembro e eu vestia vermelho. E o Sol não apareceu.
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