sábado, 3 de novembro de 2012

A Máscara Do Mal

Em minha parede há uma escultura de madeira japonesa/ Máscara de um demônio mau, coberta de esmalte dourado./ Compreensivo observo/ As veias dilatadas da fronte, indicando/ Como é cansativo ser mal!
Bertolt Brecht

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A Flor do Rei...

Salve o Cerrado...
"De como, no prazo duma hora só, careci de ir me vendo escorando rifle e alvejando, em quentes, em beira de mato e campo, em virada de espigão, descendo e subindo ramal de ladeirinhas pequenas, e atrás de cerca, debaixo de cocho, trepado em jatobá e pequizeiro, deitado no azul duma laje grande, e rolando no bagaço doce de cana, e rebentando por dentro de uma casa."
(João Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas, 1956)
Foto: © Michel Becheleni - Instituto Biotrópicos Flor do Pequizeiro, o Rei do Cerrado, Parque Estadual Veredas do Peruaçu
"o dinheiro não vai pagar..."

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

objeto identificado

Objeto de meu mais desesperado desejo
não seja aquilo
por quem ardo e não vejo
seja estrela que me beija
oriente que me reja
azul amor beleza
faça qualquer coisa
mas pelo amor de deus
ou de nós dois
SEJA
(Paulo Leminski)

sábado, 4 de agosto de 2012

Filo-loronga....

Noite de sábado, nada demais. Abujamra-pai provocou. "O que é a vida pra você?" O filho inspirou passos musicais. "Bem mais fácil ser triste que alegre!" Poesia. O baile lá fora começou. Drinks e risadas: comemoração. "Um brinde ao destino!" Na rua, Vesperata e Lua Cheia. "If they say the moon is blue, we must believe that it is true". Frio. Na TV, um filme anos 70, à bordo de um navio, Didi e Dedé dando um show de bobagens. E aquele velho problema no áudio continua me dando agonia... Google, Chocolate e roncos de bebê. Cachorrinha pé de serra desiste de animar. Roupas de molho. Água fria, ventos de Agosto. Vontade de tomar um banho quente e preguiça. Internet sono-lenta...
"Não adianta você tentar transar com a minha vida. Eu não passo de bala perdida procurando alguém pra matar. Você não vai se acostumar com meu novo cigarro e, por eu não ter um carro, você não vai me achar. Pra que insistir, eu não quero mais vestir sua bandeira de tergal, a sua liberdade condicional, pois já perdi meu vinco, eu não me chamo mais 3225. E, contra seus argumentos, sua perda de tempo, respondo com a minha ferida. Eu não passo de bala perdida procurando alguém pra matar. Mas se você inventa em me dar um jeito saiba que é oito ou oitenta: Ou você leva meu peito e meus discos do Milton ou eu vou queimar o seu abraço com toda a brasa do meu Continental sem filtro..."

sexta-feira, 22 de junho de 2012

MIUDEZAS

Percorro todas as tardes um quarteirão de paredes nuas. Nuas e sujas de idade e ventos. Vejo muitos rascunhos de pernas de grilos pregados nas pedras. As pedras, entrentanto, são mais favoráveias a pernas de moscas do que de grilos. Pequenos caracóis deixaram suas casas pregadas nestas pedras. E as suas lesmas saíram por aí à procura de outras paredes. Asas misgalhadinhas de borboletas tingem de azul estas pedras. Uma espécie de gosto por tais miudezas me paralisa. Caminho todas as tardes por este quarteirões desertos, é certo. Mas nunca tenho certeza Se estou percorrendo o quarteirão deserto Ou algum deserto em mim. (Poeta Manoel)

domingo, 4 de março de 2012

Nós vistos



Era sinceridade e outras coisas mil:
um corpo que foi silenciado.
Arte ressecada pelo veneno do ódio
do preconceito anunciado
negligenciado
por uma sociedade doente
... que não desata os nós do tempo,
que desafia nosso bom-senso.
Agora é silêncio.
Asas cortadas
falta de graça
vácuo desejo.
Grito em silêncio
e, com a força de um bailarino,
declaro guerra
e declaro amor
ao ronco surdo da (in)justiça
que avança em marcha ré.


Igor Brilha...

sábado, 21 de janeiro de 2012

desatino




"I'm a tree that grows hearts
One for each that you take
You're the intruder hand
I'm the branch that you break"
Björk^











Essas coisas todas
que nos movem
além da vida na Terra
das histórias vividas aqui dentro
das escolhas:
o fluxo.

eu só penso em seguir
mas e quando eu me atiro sem perceber?
eu me levo junto
neste barco sem leme
às vezes raptada
num navio-pirata
em meio a um "redemoinho de ilusões em ilusões"
que jogo iscas e solto pássaros febris.

risadas eletrizantes me levam quase a flutuar
ao mesmo tempo que naufrago em lágrimas de puro êxtase
eu páro:
vou até o fim.

Seja a mudança que você quer dar ao mundo...

Gandhi

"Vai!" -"Não vou!"

A gente às vezes tem vontade de ser
Um rio cheio prá poder transbordar
Uma explosão capaz de tudo romper
Um vendaval capaz de tudo arrasar
Mas outras vezes tem vontade de ter
Um canto escuro onde poder se ocultar
Um labirinto onde poder se perder
E onde poder fazer o tempo parar
A dor de saber que na vida
É melhor de saída
Ser um bom perdedor
Amor, minha ponte perdida
Vem curar a ferida
De mais um sonhador...

MPB4 e Quarteto em Cy

domingo, 8 de janeiro de 2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

vejo flores em você.


"Encosto o meu dedo em sua pele, mas ela não afunda. Não é possível. Desabotôo a sua camisa e deito a minha cabeça em seu peito, meu homem de lata. Diante do novo segredo, eu queria chorar, mas posso enferrujá-lo. Então, como viveria em paz sem a sua armadura? Sem nada entender, você se vira e vai embora. E só então eu percebo: a sua armadura é furada, meu amor. Nas centenas de furos sobre a lata, vai aguando todas as plantinhas ao seu redor. Você é, na verdade, um lindo homem regador."

Rita Apoena