sábado, 31 de dezembro de 2011

Quem ama deixa livre, é simples e direto.


2012*

O Arcano 5 fala de proteção, seja ela humana ou divina, como que anunciando uma bênção para a situação ou tema interpretado. O Hierofante está aqui para falar e esclarecer. A Sacerdotiza é o véu, ele o desvelar... Mas, na verdade, ambos revelam (re-velam = velam novamente).



FOTO - Omulu: Protetor dos desamparados, humildes, doentes e médicos. Serei regida pelo “Rei Dono da Terra”.

ATÔTÔ!!!!

domingo, 18 de dezembro de 2011

O lugar correto...


Nem selva, nem pedra
nem sol, nem chuva...
a terra desliza,
as frutas caem,
os sapos se escondem,
as raízes procuram um lugar firme
sem derrubar os muros.
e eu, um lugar seguro
escalado em mim.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vem comigo por amor




Amor por mim, amor
pelos que vão conosco.

Aplaca com um gesto
inocente e úmido
o que em mim é somente
sede e urgência.

Pra que eu reste
mais calma e humilde
e reparta entre os nossos
a água e o pão.

Raíssa Bonfim

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

"Com Amor"




Árvore da vida
Árvore querida
Perdão pelo coração
Que eu desenhei em você
Com o nome do meu amor...

(Arnaldo)


domingo, 4 de dezembro de 2011

Sobre a reciclagem


Tempo difícil para as pessoas desse mundo
quem tinha tempo para a poesia?
Pois ela comprou um carrinho invisível
e começou a catar palavrão.

Apoena

sábado, 3 de dezembro de 2011

A quoi ca sert l'amour


Mais oui ! Regarde-moi !
A chaque fois j'y crois
Et j'y croirai toujours...
Ça sert à ça, l'amour !
Mais toi, t'es le dernier,
Mais toi, t'es le premier !
Avant toi, 'y avait rien,
Avec toi je suis bien !
C'est toi que je voulais,
C'est toi qu'il me fallait !
Toi qui j'aimerai toujours...
Ça sert à ça, l'amour !

Edith Piaf

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Anúncio para solitários

“Procura-se um amigo sozinho, de andar discreto e gesto silencioso. Procura-se desesperadamente um amigo, que saiba se aproximar de um passarinho.”

Apoena

vou seguir, mas vou seguir você.



Bem, já que eu não tenho você
eu beijo sua foto na parede.
As borboletas paralíticas
desgarram das dobraduras das portas
e passeiam por meu estômago.
Dá pra sentir daí?
A sombra do vento na boca do estômago?
A amendoeira e o último raio de sol
... as coisas todas que não importam à matéria,
tudo sublimado.

domingo, 20 de novembro de 2011

simples toque.


Meu amor está longe
e eu me apego ao violão
a paixão me ajuda a cantar
afina a melodia, na alma
toco com o coração.

Na pausa pro café
ouço a sinfonia que os passarinhos fazem
(pura poesia...)
entre um acorde e outro
no doce embalo de um canto
na calmaria deste domingo
o acaso de seu encanto.

sábado, 19 de novembro de 2011

quero o querer.

..." Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir... Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento."



(Clarice Lispector).

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

something


You're asking me will my love grow
I don't know, I don't know
You stick around now it may show
I don't know, I don't know..

G.harrison

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Do meu olhar pra fora.


"Há um tempo de colher saudades. Me sinto uma catadora de sempre-vivas, mas minhas flores sempre ficam mais bonitas no campo..."

sexta-feira, 11 de novembro de 2011



“Quando morrer, quero renascer esperança. Não a esperança verde, insetinho bonito escondendo-se esguiamente entre as folhas que um dia perderão a cor, traindo pela alquimia temporal o toque magistral de suas vestes. Não a esperança dos homens mutantes tão rapidamente pelo efeito das suas sombras tecnológicas, das suas chamas e seus ventos propulsores apressados, não a esperança dos que sonham ter demais, dos que secaram a última gota pela cegueira do excesso. Quero ser a esperança sentida pelos últimos jabutis gigantes de Aldabra. Uma esperança longa, tal qual sua vida, uma esperança que não se cansa, anda lenta, mas decididamente em passos firmes. A esperança infatigável do jabuti gigante de Aldabra, que aguarda silenciosamente pelas mudanças, e enquanto aguarda, as mudanças ocorrem com a leveza imperceptível de uma pluma. E por imperceptível passagem, a esperança vigora, e, ao olhar para os lados, apenas anseia que o mundo insular que a sustenta, entre a carapaça do réptil e a areia milenar do solo, continue existindo, para que não morra o último jabuti e com ele, numa lágrima derradeira, a última das mais longas esperanças viventes..”

Savio Drummond




segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O silêncio é uma prece


A vigília é o caminho da vida.
O parvo dorme como se já estivesse morto,
Mas o professor está acordado e vive eternamente.
Está vigilante. Tem claridade.
Por que é feliz? Porque vê que estar acordado é viver.
Que é feliz seguindo o caminho dos acordados.
Com grande perseverança medita, procurando a liberdade e a felicidade.

GAUTAMA BUDA, Dhammapada

domingo, 6 de novembro de 2011

grafias, graças, gestos.



Uma dose de ilusão, uma dose de veneno bom
Vem adoçar minha noite e meus sonhos
A gente se entende em silêncio.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ata-me, desata-me


essencial é ter medidas
saber do limiar
do que separa o que é bom
do que está fora do controle
o que exagera
o que é loucura
domar o Amor:
isso é possível?
com os olhos abertos
ou fechados
eu sinto você tão perto
eu sinto você tão longe
ata-me!
para que eu não consiga nem respirar
só sentir como é forte
tudo que nos envolve
"eu não quero mais ser livre"
quero desatar todos os nós
que nos impedem de voar
de pegar a estrada
e, no fim da viagem
que a gente queira sempre voltar
aos caminhos
e nos encontrar.


"I believe in the magic
Angel for love..."

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Saudação da Saudade


minha saudade
saúda tua ida
mesmo sabendo
que uma vinda
só é possível
noutra vida

aqui, no reino
do escuro
e do silêncio
minha saudade
absurda e muda
procura às cegas
te trazer à luz

ali, onde
nem mesmo você
sabe mais
talvez, enfim
nos espere
o esquecimento

aí, ainda assim
minha saudade
te saúda
e se despede
de mim.

Alice Ruiz


Meu avô era emotivo, carismático, inteligente. Escritor, gostava de música clássica, sabia os nomes de todas as óperas e áreas diversas... Queria ter gravado suas conversas e filmado quando ria dos causos que ele mesmo contava... Ele dizia: "Quanto mais cresce, mais besta fica!" Sábio Cel. Tito, sábio vovô... Saudade...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

shake, baby... let it be.


Suaves são os pássaros
tão intensos seus cantos,
você pode ouvi-los
de longe
sentir a vida que pulsa
tão bom seria se tudo fosse simples assim
como um vôo
um passarinho
bonito de se ver
numa manhã
ao sol
ao entardecer
'free as a children happy'

Páro
com o doce ruído do som da vitrola
eu canto
eu danço
sensivelmente
experimento sorrir
'float, plane'

Com os pés firmes ao chão
descalços
deixo o peso dos dias
dos anos
de algumas coisas que me fazem lembrar
dias que não passam:
passarão
jogo tudo lá na estratosfera
mergulho no azul
firmo minhas pernas
meu quadril
à terra

"Mon petit vulcan
I'm admiring your lava..."

Na lama
relaxo meus ombros
por que o mundo gira
e conspira

Fé, coragem e paciência
movem montanhas...

domingo, 16 de outubro de 2011

Amor Antropófago




Comerei teu coração
mas não sei o que fará em mim o teu desejo
se me deixará as marcas habituais do amor
ou me levará para muito longe.

Farei de ti um pasto e um pacto
e não sei em qual dos dois me perderei insaciado
e qual dos dois será para mim o jato dourado
para a viagem afinal.

Não sei em qual dos dois vou repetir-me
exclusivamente.

Mas ao longo de teus cabelos
e no íntimo de teus olhos
e no âmago de teu sexo
comerei teu coração.

Álvares Pacheco

Rio, 23/7/70

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Deixei uma ave me amanhecer

O que desejo é apenas uma casa.
Em verdade, não é necessário que seja azul,
nem que tenha cortinas de rendas.
Em verdade, nem é necessário que tenha cortinas.
Quero apenas uma casa em uma rua sem nome.



Sem nome, porém honrada, Senhor.
Só não dispenso a árvore,
Porque é a mais bela coisa que
nos destes e a menos amarga.
Quero de minha janela sentir
os ventos pelos caminhos, e ver o sol...


Manoel de Barros

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Para lá...




"Sumiê de fios, de folhas, sem tinta e sem pincel, onde o espaço faz papel de papel, o fio faz o efeito da escrita, os livros, fios em branco, são lidos pelo avesso, de lado, de vulto, de soslaio, os fios das folhas em ritmo, ora gráfico, ora elétrico, escrevem rimas ricas, linhas em todas as direções devolvem, resolvem nosso emaranhado enquanto flutua a dura madeira, nua carne, árvore madura suspensa, susto que pensa, pressente, arrepio de pêlos que nascem, atravessam, passam, morrem no pálido da pele onde ainda persiste um nada que se move na força dos fios e revela sua leveza e eleva o peso do espaço com todas as palavras não ditas."

Alice Ruiz

(Fotos: Becheleni)


**** Todo dia deve ser o Dia da Árvore.****

"Equilibra os ninhos..."








Seco
sol quente
céu azul
amarelo-ouro
sol do sertão
iluminado
a voz seca
poeira
lágrimas
verdades
vertigens
saídas
abismos
dança
esperança...

yellow loui






Quem anda no trilho é trem de ferro,
sou água que corre entre pedras:
liberdade caça jeito.


Manoel de Barros

sobre o amor





Quem não compreende o silêncio
ainda não está pronto
para ser flor.


(Apoena)

silêncio





O entardecer é mágico
as últimas palavras do dia
o silêncio do crepúsculo
envolve a terra
distrai os que amam...


Fotos: Dan

Sapucaia Verde - Rosa





“Poesia não é para compreender mas para incorporar
Entender é parede: procure ser árvore.”

Manoel de Barros

Leva eu





"Mas a poeira é só a vontade que o chão tem de voar."

(Apoena)

Cactus Blue






"Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais."


Manoel de Barros

Folhas, Flores, Letras






"Quando você se sentir sozinho, pegue o seu lápis e escreva. No degrau de uma escada, à beira de uma janela, no chão do seu quarto. Escreva no ar, com o dedo na água, na parede que separa o olhar vazio do outro. Recolha a lágrima a tempo, antes que ela atravesse o sorriso e vá pingar pelo queixo. E quando a ponta dos dedos estiverem úmidas, pegue as palavras que lhe fizeram companhia e comece a lavar o escuro da noite, tanto, tanto, tanto... até que amanheça."

(Apoena)

No Salitre...






"Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós."


Manoel de Barros

terça-feira, 20 de setembro de 2011

.


"- Não está com uma cara boa - setenciou.
- Indigestão - repliquei.
- De quê?
- De realidade.
- Melhor entrar na fila - atalhou."

Zafón, O Jogo do Anjo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Coisa tua




Assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua.


(Música: Waltel Branco
Letra: Alice Ruiz)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Inspire...


Inspire
expire
coisas boas
azuis
rosas
essências

que acalmam
que excitam
lembranças
com cores

saberes
sabores
sóis

os deuses devem abençoar
e os anjos
os santos
as flores

a poesia

saber ouvir
o coração
a razão
a loucura
os 'sussurros'

e "só entende quem namora..."