sexta-feira, 11 de novembro de 2011



“Quando morrer, quero renascer esperança. Não a esperança verde, insetinho bonito escondendo-se esguiamente entre as folhas que um dia perderão a cor, traindo pela alquimia temporal o toque magistral de suas vestes. Não a esperança dos homens mutantes tão rapidamente pelo efeito das suas sombras tecnológicas, das suas chamas e seus ventos propulsores apressados, não a esperança dos que sonham ter demais, dos que secaram a última gota pela cegueira do excesso. Quero ser a esperança sentida pelos últimos jabutis gigantes de Aldabra. Uma esperança longa, tal qual sua vida, uma esperança que não se cansa, anda lenta, mas decididamente em passos firmes. A esperança infatigável do jabuti gigante de Aldabra, que aguarda silenciosamente pelas mudanças, e enquanto aguarda, as mudanças ocorrem com a leveza imperceptível de uma pluma. E por imperceptível passagem, a esperança vigora, e, ao olhar para os lados, apenas anseia que o mundo insular que a sustenta, entre a carapaça do réptil e a areia milenar do solo, continue existindo, para que não morra o último jabuti e com ele, numa lágrima derradeira, a última das mais longas esperanças viventes..”

Savio Drummond




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